6 de fev. de 2009

Agenda Temática 02 - Binómio Ensino/Investigação
Reforma dos Estudos

A centralidade do capital humano é uma das prioridades na definição das políticas de educação e de formação, na perspectiva de aprendizagem ao longo da vida. As novas exigências de competências para a sociedade do conhecimento exigem uma contínua actualização das qualificações e do saber, uma dimensão que as Universidades devem equacionar na formação pós-graduada.

A organização dos saberes exige, num primeiro momento, a abertura de um debate que motive a Academia para repensar cientifica e institucionalmente a actual “lógica” de fragmentação disciplinar e de oferta educativa, capaz de interpretar a evolução social e valorizar as áreas emergentes. A própria lógica de criação e distribuição de unidades curriculares adstritas às áreas científicas deverá ser revista, baseada numa lógica de racionalidade científica e de pragmatismo funcional. Esta reflexão deve ter como motivação a visibilidade internacional, devendo ser preocupação o reforço da oferta educativa em parceria com Universidades estrangeiras e da mobilidade docente e de alunos.

Deve ser, também, objecto de reflexão a articulação das novas valências de natureza politécnica, caso do ensino da Enfermagem. Neste domínio da oferta educativa, devem ser definidas estratégias que não incluam apenas a Escola de Enfermagem, visando garantir a actual dimensão desta Escola. Adicionalmente, devem ser privilegiados outros tipos de projectos educativos a desenvolver no quadro da aprendizagem ao longo da vida e dos “novos públicos”.

A definição e o desenvolvimento de ofertas educativas alternativas em contextos profissionais, no domínio da formação contínua e especializada exigem o reforço da estrutura especializada que irá supervisionar esta atribuição. A unidade de formação deverá manter a acreditação em todos os domínios de intervenção, de forma a possibilitar que a UTAD possa desenvolver os projectos educativos em contextos profissionais, dando reposta às necessidades das empresas, instituições, autarquias, entre outros parceiros, como estratégia de garantir a sua sustentabilidade financeira.

As reformas iniciadas com o Processo de Bolonha determinam a adopção de um modelo de organização do ensino em três ciclos e transformações adicionais vocacionadas para novos contextos pedagógicos. O acompanhamento deste processo, de acordo com o novo regime jurídico, inclui o contributo dos estudantes e docentes, formas de auscultação promovidas pelos órgãos científicos e pedagógicos, a adopção de indicadores de qualidade que evidenciem os processos de mudança promovidos em cada curso e na instituição.

Este processo deve ser contextualizado num sistema de gestão da qualidade pedagógica, supervisionada por estruturas especializadas previstas nos Estatutos, dentro de quadros de referência validados a nível europeu. Na perspectiva de melhoria contínua, garante o planeamento e a implementação dos projectos educativos de modo adequado, reforça as motivações e as competências dos docentes e estudantes, melhora os níveis de sucesso e diminui os níveis de abandono escolar.

A garantia de qualidade também deve envolver a certificação dos estabelecimentos, enquanto instituições de ensino e da sua oferta educativa, sendo que as estruturas curriculares e programáticas devem ser adequadas às finalidades divulgadas, como medida de transparência do efectivo cumprimento da sua missão e objectivos. Esta orientação deve ser aplicada, também, na componente laboratorial, enquanto espaços vocacionados, tanto para o ensino, como para a prestação de serviços, de acordo com as normas de certificação em vigor.

As reformas de Bolonha determinam que as Escolas devem reequacionar, em estreita colaboração com o Conselho Académico, o conjunto da actividade pedagógica, definir objectivos, programas de trabalho e novos procedimentos na execução, acompanhamento e avaliação do processo de ensino/aprendizagem. O sucesso de adaptação a esta realidade exige a implementação de metodologias de ensino alternativas, vocacionadas para o desenvolvimento de capacidades dirigidas para o mercado de trabalho e a sociedade do conhecimento. As exigências da empregabilidade exigem a promoção de competências adicionais de natureza extracurricular, em contextos de inserção na vida activa.

A adopção de modelos alternativos de ensino acrescenta dificuldades, inerentes à transição de um sistema centrado numa estrutura curricular tradicional para uma estrutura baseada no desenvolvimento de competências. O sistema actual baseia-se na transmissão de conhecimentos, segmentada em unidades curriculares e com docentes a funcionar de forma isolada na leccionação, pretendendo-se adoptar, à luz dos novos desafios, um sistema integrador de unidades curriculares, cujo corpo docente funcione em regime colegial. O novo modelo exige um maior volume de trabalho do docente, coordenação e organização entre si, a que acresce a falta de espaços e de infra-estruturas adequadas.

A gestão das Escolas não deve restringir-se à perspectiva administrativista e regulamentar de concepção de planos curriculares, sem ter em atenção o mercado e as necessidades dos empregadores. A médio prazo, este desígnio será um dos principais veículos promocionais das instituições, sendo a imagem de distinção das outras instituições.

A questão da definição dos critérios de entrada dos alunos nas instituições de ensino superior continua a ser uma preocupação, associada à problemática da captação de estudantes. Esta problemática exige uma atitude diferente, tornando-se prioritário recolher informação sobre os estudantes antes da sua entrada no ensino superior, identificando as suas preferências e preparar a UTAD para a discussão das futuras regras de ingresso.

A missão do actual Observatório do Percurso Profissional dos Antigos Alunos da UTAD deve ser ampliada, de forma a contemplar o desafio da captação de novos públicos. Esta estrutura deverá incluir linhas de actuação sobre o percurso dos estudantes, desde o ensino básico e secundário até à sua inserção profissional.

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