6 de fev. de 2009

Agenda Temática 02 - Binómio Ensino/Investigação
Investigação

O ensino pós-graduado deve ser uma das prioridades da UTAD, envolvendo projectos formativos interdisciplinares, colaborações institucionais e a participação ampla e consistente em programas internacionais. Por outro lado, no centro das preocupações das Universidades encontra-se, a par da inovação e da competitividade, o empreendedorismo abrangendo a criação de negócios novos, o desenvolvimento de novas oportunidades de negócio e o auto-emprego. Estes objectivos estratégicos devem ser desenvolvidos em articulação com dinâmicas de investigação científica, que passam pelo reforço das estruturas de investigação e das suas capacidades científicas, constituindo pólos de conhecimento e de inovação vocacionados para resolver os problemas do mercado.

Na realidade, a aposta na investigação é um dos principais desígnios estratégicos das instituições de ensino superior, o qual exige uma articulação estreita com a formação avançada, em especial, com os programas de terceiro ciclo. Esta estratégia deve ser desenvolvida em consonância com os centros de investigação, quer na definição das orientações sobre o perfil da oferta de investigação vocacionada pelas exigências da procura, quer na perspectiva da optimização das condições materiais e dos recursos humanos para o seu funcionamento. O aumento do número de alunos em ofertas de pós-graduação e em cursos de especialização, em nosso entender, é outro dos pilares em que assenta, no futuro, a sustentabilidade financeira da UTAD.

A relevância dos Centros de Investigação justificam a criação de uma Unidade de Gestão de Ciência e Tecnologia, a enquadrar nas estruturas especializadas previstas nos novos Estatutos. Desta forma, a UTAD deve preparar-se para responder aos diferentes tipos de investigação com impacto na competitividade, designadamente: i) investigação colectiva, efectuada por encomenda das empresas e que exige estruturas de interface para gerir a transferência do conhecimento e tecnologia; ii) investigação institucional de natureza não competitiva, centrada na resolução de problemas que as instituições têm no exercício das suas funções; iii) investigação empresarial, executada em parceria com as empresas e as suas associações, assumindo uma natureza competitiva desenvolvida ao abrigo das regras de confidencialidade e de protecção da propriedade industrial.

Assim, a configuração das estratégias de investigação deve ser delineada na perspectiva das necessidades da sociedade, que no futuro pode revestir novas formas na definição das prioridades de I&D+I e na escolha dos instrumentos e soluções a adoptar, quer na monitorização e avaliação da sua actividade, segundo regras a definir no modelo de governação. A organização das unidades de investigação deve contemplar as diversas áreas de intervenção em I&D, tecnológicas, de consultadoria, de formação e, em casos particulares, perspectivada em sintonia com a actividade de incubação de empresas.

O futuro passa pela consolidação da actividade empresarial passa pela articulação com os diferentes actores de Ciência e Tecnologia, visando que as mais-valias da investigação se traduzam no aumento da competitividade, exigindo que as unidades de investigação contemplem unidade vocacionadas para estes fins. Deste modo, é possível ultrapassar a falta de articulação entre os executores de I&D e os seus potenciais utilizadores, a efectiva transferência de conhecimento e de tecnologia, bem como a prestação de serviços especializados e diversificados.

A articulação da investigação também deve privilegiar iniciativas internas, no quadro de programas de divulgação e de fomento da interacção na instituição. Por outro lado, deve ser equacionada a apresentação aos “stakeholders” nacionais e estrangeiros de projectos e do trabalho desenvolvido, uma actividade que deve ser desenvolvida para estrutura de Ciência e Tecnologia.

A capacidade de atracção de financiamento competitivo é uma prioridade que pode contribuir para a sustentabilidade da investigação, além de estar associada à lógica de aumento das receitas próprias. Os montantes de investimento privado em projectos de I&D tem aumentando consideravelmente nos últimos anos em Portugal, sendo os valores muito próximo de países como a Espanha e a Irlanda, embora reduzidas, se tivermos em conta as metas da União Europeia. Neste contexto, os centros de investigação devem desenvolver estratégias de cooperação e de ligação ao exterior, visando ganhar dimensão e competitividade, devendo orientar as suas preocupações de investigação pelo lado da procura.

A rede de cooperação estruturada com outras instituições nacionais e estrangeiras permitem a transferência de conhecimento e de inovação, bem como o acesso a recursos que os Centros não disponham e que, de outra forma, seria mais difícil. Os centros devem também desenvolver parcerias com instituições de ensino superior congéneres estrangeiras, em particular, ao abrigo de programas de cooperação transfronteiriça.

A lógica analisada nesta agenda deve ser uma preocupação do Conselho Geral na qualificação dos seus activos, de forma a garantir níveis de competitividade consideráveis. Desde logo, é nestes termos que deve ser sublinhada a formação pedagógica dos docentes, a promoção da sua mobilidade ao abrigo de programas europeus, a integração de novos investigadores nos centros de investigação e o desenvolvimento de formas de reconhecimento do mérito académico.

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